“Tem gente que diz que adora animal, mas subjuga tanto o bichinho que não entendo esse amor!” Foi o que disse um amigo querido ao ver um enorme cachorro, da raça husky siberiano, no Rio de Janeiro, na varanda de 2m² de um apartamento. Só com essas informações, meu amigo e eu discutimos sobre o sofrimento desse cachorro.
Forte e robusto, adequado para viver em regiões extremamente frias, com instinto caçador, corre longas distâncias, transporta de 6 a 11kg, é considerado uma raça de trabalho. Porém, o husky de que estou falando vive num lugar cujo verão chega a 40º graus e não tem nenhum espaço para se mover. Ele vive sedentariamente, deitado na sacada do apartamento, se ajeitando entre a mesa e as cadeiras que disputam com ele a pequena área. Sozinho. Ausente de cachorros. Ausente de humanos. Visivelmente deprimido.
O cão não escolheu essa moradia. Um casal, que passa o dia trabalhando, o adquiriu porque adoram cachorros. Por amor, confinaram o animal a uma vida que desrespeita sua natureza primordial. Esse exemplo é o centro deste artigo porque esta história se passa do meu lado. Mas, provavelmente, todos nós confinamos e subjugamos alguém em nome do nosso amor. Um amor que não enxerga o outro com suas necessidades e possibilidades, cuja intenção está em satisfazer apenas uma das partes.
Ao contrário dessa experiência egóica, podemos experimentar um Amor iluminado, que faça brilhar o amante e o amado ao mesmo tempo. Viver um Amor que jorra sem fim, como uma cachoeira, cuja nascente é infinita. Sem julgamentos, sem expectativas. O amor que São Francisco teve pelos leprosos. Respeitando a natureza e a missão de cada ser.
Como? Eu também quero saber! Aceitar o outro em sua realidade pode ser um caminho. Reconhecer a irmandade que nos une, é outro caminho. Meditar. Orar. Procurar ser um jarro de barro sem fundo, de onde o amor jorra.
Talvez no início seja preciso ver o outro, enxergá-lo, compreendê-lo como se compreende um cão – entender as funções de cada pêlo, de cada músculo, seus instintos, suas capacidades físicas, etc.
Depois de tanto enxergar, apagar os sentidos e então chegar ao outro lado da cegueira, quando poderemos ultrapassar a identidade do amante e amá-lo substancialmente, em essência. E viver o amor sagrado!
Jornada difícil sim. Muito. Mas já é hora de começar!
Querids, se alguém tiver uma imagem para me oferecer para esse texto, aceito.
ResponderExcluirObrigada pela tolerância.
Beijos, Geo