A partir da massa feita basicamente de água, farinha, sal e fermentos, nasce o pão. Considerado um dos principais ingredientes da alimentação das pessoas do mundo inteiro há milênios, pode ser comido de maneiras diversas, segundo a região.
“Quando o ser humano começou a trabalhar com cereais, já fazia uma espécie de crepe / panqueca que amassava em pedras ou misturava com cinzas. Foi o início do que seria o pão em uma espécie de barrinha de cereal que podia ser levada para qualquer lugar e garantia a energia do dia”, conta Luciana Martins, da padaria artesanal Cumpanio e estudiosa do assunto.
Importante presente de casamento para os gregos, o pão já foi usado como “pega” para comidas na Índia e em países do Oriente quando não existiam talheres e causou revoluções na França, onde era um bem público. Para os franceses, o pão era parte tão presente na vida e na cultura locais que o fato de um padeiro aumentar o preço ou alterar o tamanho de uma baguete era motivo de manifestações populares.
Se na religião católica ele representa o corpo de Cristo, no judaísmo é sinônimo de libertação. Quando os hebreus fugiram do Egito não puderam esperar a massa do pão crescer. Por isso, na Páscoa judia, o Pessah, a perseguição a esse povo é lembrada no costume de comer o matzá, o pão ázimo, preparado sem fermento.
Em função de sua pluralidade global o pão também pode ser relacionado à paz. Existe um verso no Talmude, livro sagrado do judaísmo, que diz: “paz para o mundo é como o fermento para o pão". Há também um poema da goiana Cora Coralina (1889-1995) relacionando paz e pão: "haverá sempre esperança de paz na Terra enquanto houver um semeador semeando trigo e um padeiro amassando e cozendo o pão". Estas citações estão no livro Pão da Paz, do fotógrafo paulista Paulo Braga, que descobriu receitas de pães de todos os países membros da Organização das Nações Unidas.
A ideia surgiu depois que seu editor e parceiro em outro projeto de livro perdeu a vida durante o atentado ao World Trade Center, em Nova York, em setembro de 2001. Abalado, Paulo decidiu reformular a idéia de seu livro e falar de paz.
Para ele, o pão carrega o sentido da partilha e por isso está tão relacionado à paz.
Quem concorda com conhecimento de causa é o casal Luciana Martins e Camilo Gazinelli, da Cumpanio. Pão para eles é sinônimo de partilha, companheirismo e viagens. “Nosso nome não poderia ser outro. Cumpanio quer dizer compartilhar e é isso que estamos fazendo desde que começamos. Uma história de intercâmbio de padeiros do mundo inteiro partilhando conhecimentos, experiências, vidas, histórias...”
Luciana e Camilo viajam pelo mundo através do olhar de um produto que é básico, simples e está presente em qualquer parte do globo com uma importância peculiar. “É como se o pão nos levasse aos diversos lugares, à vida de seus habitantes, à mesa”, diz Luciana.
Eles já viajaram por países da Europa e da Ásia aprendendo na prática com as técnicas, os ingredientes e as histórias de cada lugar com amigos padeiros. “Nossas vivências foram tão ricas que dariam um livro”, revela, lembrando de uma padaria artesanal no sul da Itália que faz o mesmo pão no mesmo forno há 600 anos. “Os padeiros deste lugar acordam quatro horas antes de fazer o pão apenas para limpar e cuidar do forno. O pão que eles fazem é bem simples, mas as pessoas vêm de todas as partes em busca do produto. Na verdade, vão atrás daquela história, daquela tradição”, conta.
Comungando histórias, tradições e amizades, a Cumpanio é hoje referência mundial em pães, parte de um movimento de valorização deste bem tão simples e essencial. Com tantas variedades e sabores, dá vontade mesmo é de celebrar. Que tal sentar-se à mesa, cercar-se de gente e bem dizer o alimento mais comum e mágico de todo o mundo?
*Cumpanio
Rua do Ouro, 292, Serra.
Tel: (31) 3225-5246
Bella matéria!!! Gostei demais, cheio de coisas que eu não sabia! Nos trechos sobre a relação do pão com algumas religiões, lembrei da oração "pai nosso", com o "pão nosso de cada dia nos dai hoje".
ResponderExcluirbjs, geo
Obrigada, Geo. Acho que faltou o contato da Cumpanio, né? Vou acrescentar!
ResponderExcluirbeijo